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Circuito Ou(T)ro Preto valoriza protagonismo negro

O Circuito Ou(T)ro Preto está em plena atividade, levando visitantes a uma imersão pela história e pelo legado do povo negro na formação de Ouro Preto, na região Central de Minas. As visitações gratuitas aos principais pontos turísticos, como a Mina Du Veloso, a Igreja do Rosário, a Casa dos Contos e o Museu da Inconfidência, reforçam uma narrativa frequentemente esquecida, mas essencial para compreender a identidade cultural e histórica do município. As ações seguem até junho de 2026, com transporte e entradas totalmente custeados pelo projeto.

A iniciativa, que teve o apoio da Associação Move Cultura, conforme destacado em maio de 2025, nasceu da necessidade de reposicionar Ouro Preto como referência em afroturismo, reconhecendo que a cidade foi construída “por mãos negras”, como destaca Eduardo Du Evangelista, engenheiro e idealizador da Mina Du Veloso.

“Ouro Preto deveria ter mais visibilidade nesse sentido, pois é uma cidade construída por mãos negras, mãos que deixaram as construções que ainda estão aqui. E essa trajetória não é valorizada. A nossa potência é mundial.”

Eduardo Du Evangelista, engenheiro e idealizador da Mina Du Veloso

Antes da etapa de visitações, o projeto passou por uma robusta fase de formação. As aulas foram realizadas na sede da Escola de Samba Acadêmicos de São Cristóvão e na própria Mina Du Veloso, reunindo guias de diversos municípios e até de outros Estados brasileiros.

O conteúdo abordou conceitos teóricos e práticos, além da construção de roteiros afrocentrados, não apenas no centro histórico, mas também nos distritos. Os participantes trouxeram vivências distintas do turismo, enriquecendo ainda mais o processo.

O balanço da formação foi considerado positivo. Os inscritos concluíram o curso, e muitos deles já tinham envolvimento com pautas raciais, o que ampliou as trocas e aprofundou os debates. Segundo Evangelista, os frutos começaram a surgir imediatamente: escolas e instituições procuraram o projeto interessadas em incluir o afroturismo em suas programações, gerando visitas e ampliando o alcance da proposta.

CAPACITAÇÃO

A capacitação foi oferecida gratuitamente pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), resultando em uma preparação sólida dos profissionais para atuar no mercado de turismo cultural com olhar afrocentrado. Com isso, novos caminhos de atuação, renda e reconhecimento patrimonial foram abertos, fortalecendo uma rede de valorização da memória negra em Minas Gerais.

O Circuito Ou(T)ro Preto se consolida, assim, como um marco educacional, social e cultural. Um convite para olhar a história mineira com profundidade, reconhecimento e respeito, celebrando, enfim, a presença negra que sempre esteve no coração de Ouro Preto.

Com a etapa formativa concluída, o Circuito Ou(T)ro Preto se dedica agora à fase de visitações, que prevê o atendimento de cerca de 1.200 crianças de escolas públicas, tanto da região central quanto de distritos próximos.

“O contato com várias escolas é frequente e a esperança é de uma ótima temporada. O projeto vai fornecer o transporte e a gratuidade de entrada nos locais.”

Eduardo Du Evangelista, engenheiro e idealizador da Mina Du Veloso

Mais detalhes no Instagram @minaduveloso.

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